quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Lua


LUA

Eis que surge, acordada precocemente, após sua espera calma para reinar absoluta no escurecer das horas, a Lua. Soberana, estável, convicta e impassível às mudanças dos comportamentos alheios frente ao seu despudor. Surge, sendo ela mesma e sempre outra. Fechada em si, enquanto transborda marés que não a alcançam. Absurda em sua fortaleza análoga à personificação do “para sempre”, como se jamais fosse esvaziar-se. Estática, falsamente estática, porque poucos se permitem ou podem mirá-la em seus leves movimentos, sua dança de suaves encantos. Impermeável à histeria dos loucos, à inquietação dos lobos, ao uivo dos amantes febris. Surge sedutora e permanece absorta em sua própria beleza. Narcisa, com sua única e intermitente curva, se espalha sobre as águas, submete à decadência as algas e reina, paradoxalmente, fria, incandescente, desinteressada, ardente.


Marla de Queiroz

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