segunda-feira, 3 de junho de 2013

Paciência


Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria 
gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia. 
Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que 
lembram as antigas "trabalhadoras do cais"... E o bem comportado executivo? 
O "cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo
ajuda a tumultuar... 
Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o 
jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido 
uma "mala sem alça". Aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma 
tortura, a escola uma chatice. 
O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela. 
Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava 
demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a 
cabeça, inconformado... 
Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem 
sequer ler o título, dizendo que era longo demais. 
Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem 
tempo para Deus. 
A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética 
dos calmantes está cada vez mais em alta. 
Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer 
chegar? 
Qual é a finalidade de sua vida? 
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta. 
E você? 
Onde você quer chegar? 
Está correndo tanto para quê? 
Por quem? 
Seu coração vai agüentar? 
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar? 
A empresa que você trabalha vai acabar? 
As pessoas que você ama vão parar? 
Será que você conseguiu ler até aqui? 
Respire... Acalme-se... 
O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia 
vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência... 

Paulo Roberto Gaefke

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