quinta-feira, 29 de março de 2012

Pela Janela


Escuto a música,
e inevitavelmente um suspiro escapa dos meus lábios.
Ergo a cabeça e olho pela janela,
afasto a cortina e vejo um jovem casal de namorados.
Ela, delicada, longos cabelos e olhos claros e luminosos.
Ele, alto, esguio, cabelos anelados
com castanhos olhos expressivos.
Ambos sorriem e dançam.
Vejo seus corpos no embalo da música
sorrindo um para o outro,
o típico sorriso da juventude.
Olho para eles fascinada
com a maneira como se olham e se movimentam.
Observo quando se distanciam,
mesmo continuando no embalo da música
e sem que seus olhos percam o contato.
Vejo quando ele com ar de graça
tenta puxá-la para si,
como se existisse uma corda imaginária.
Ela sorri e acena que não.
Atento-me quando ela num movimento discreto,
acena pedindo que ele volte até ela.
Extasiada, vejo ele atendendo seu pedido,
aproximando-se dela, sem nunca deixar de dançar.
Aproximo-me mais da janela,
e vejo quando ele chega até a garota,
envolvendo-a e erguendo-a em seus braços,
girando-a pela pista de dança.
Vejo a satisfação nos seus olhos.
Vejo o riso solto saindo dos lábios dela,
um riso de pura felicidade e contentamento,
e seus cabelos estão esvoaçando ao redor do seu rosto,
quando então ele a coloca no chão e a beija.
Um beijo apaixonado e encantado.
Quando a música termina, 
observo-os um último segundo.
Então saio da janela e fecho as cortinas.
Porém, tomo o cuidado 
para deixar aberta uma fresta ,
para que sempre que eu queira
eu possa voltar e observar,
por entre a janela das minhas doces recordações.

Célia Cristina Prado



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